
Já se passaram mais de cem anos desde que Karl Marx começou a registrar por escrito suas teorias econômicas. Um período de tempo bastante longo, sobretudo quando se consideram as profundas transformações que o mundo sofreu desde então! Seria, portanto, praticamente um milagre se todas as teses de Marx ainda conservassem hoje sua plena validade, se nenhuma delas tivesse se tornado obsoleta em decorrência do desenvolvimento posterior. Certamente, considerado como um todo, o sistema econômico de Marx passou pela prova da história.
Mas Karl Marx foi um filho de seu tempo, apesar de toda a sua genialidade, submetido à influência dos fatos empíricos e dos hábitos de pensamento de sua época. Também em seu sistema devemos, portanto, distinguir linhas de pensamento de diferente alcance e de diferente peso teórico. Nesse sentido, pode-se muito bem falar de um Marx esotérico e de um Marx exotérico — na medida em que se queira compreender por isso a diferença entre a teoria propriamente dita e as conclusões concretas e as previsões de desenvolvimento dela derivadas. É claro que a primeira pode conservar sua plena validade, mesmo que as últimas venham a se revelar, por vezes, precipitadas e insustentáveis. E é claro que uma aplicação fecunda da teoria marxiana só é possível quando se mantêm separados seus elementos esotéricos e exotéricos, quando se sabe distinguir adequadamente, no sistema de Marx, aquilo que é condicionado e transitório pelo tempo daquilo que é imperecível.
– Roman Rosdolsky
(de: Arbeit und Wirtschaft, 11º ano, nº 11, 1º de novembro de 1957, p. 348)
ATENÇÃO:
Texto retirado de: Streifzüge 70/2017 | Traduzido do alemão ao português com IA
